A linguagem do graffiti

Grafites (graffitis) e pichações continuam interferindo cada vez mais nos variados  cenários urbanos. Os grafiteiros vêm se apossando das superfícies convidativas de todas as arquiteturas das cidades e metrópoles para imprimir a marca da arte no cotidiano de seu tempo. São artistas de rua, uns poucos na trilha de Basquiat, quem sabe em busca de fama mais duradoura que os 15 minutos determinados por Andy Warhol, a maioria seguindo o movimento hip-hop nascido no bairro do Bronx, em Nova York. Não há praticamente espaço-suporte vazio que seja poupado dos pincéis do ar ou dos sprays que escrevem letras em 3D e desenham imagens super-realistas. Os pichadores lutam pelos mesmos espaços, mas vão além: seus alvos principais são placas de sinalização de trânsito ou de qualquer outra orientação de comportamento social coletivo, monumentos públicos e muros ou cercas delimitadores que desafiem a marcação de territórios. As pichações não têm compromisso com a arte, mas com mensagens, ameaças, convocações para confrontos sob assinaturas codificadas. É constante a associação com o vandalismo e depredação dos locais.

O grafite pretende ser visto, lido, entendido, apreciado e revelado (“escolas” e movimentos); a pichação destina-se  a  afirmação de poder de líderes e predadores sobre determinados bairros ou áreas e serve à comunicação entre pares e ímpares (por exemplo, gangues x gangues). São diferentes em técnicas e propostas. Mas observo o que ambos têm em comum: quase que uma total ausência de manifestação de conteúdo político (alienação?), diferentemente do que se via nas décadas de 60 e 70.

A nova geração de grafiteiros e pichadores têm um vocabulário de expressões e gírias importadas e os termos usados incluem a linguagem tecnológica dos computadores e da internet, além de incorporaram elementos do hip-hop.

O grafiteiro individual é chamado de Writer (artista do grafite, poeta urbano). Um grupo de grafiteiros é uma Crew.  Há duas escolas de grafites: a Old School (equivalente aos “clássicos” da pintura) e a New School (os modernistas, chamados de Fresh). O grafiteiro que pinta ou escreve vários lugares de sua cidade ou em várias cidades do país, é chamado de All City. As revistinhas que divulgam a arte de grafitar são chamadas de Funzines.

Tag é a assinatura do grafiteiro, sua logomarca. Mas um Tagger é quem apenas escreve sua assinatura, não faz nenhum grafite, logo não é um Writer. Roll Call é assinatura de um Crew (do grupo).

Um novato na arte do grafite é chamado de Toy. Os plagiadores, os que não têm idéias próprias e copiam desenhos de outros Writers, são chamados de Bites. Quando um grafiteiro tem seu trabalho reconhecido por seu trabalho é um Fame (ficou famoso…)

Piece é um grafite e deve ter no mínimo três cores. Um bom Piece é considerado Burn. Antes de fazer um Piece muitos preparam o Background (comparando, seria como preparar uma tela antes de pintar ou apagar o que havia antes, limpar o fundo). Fill é pintar um piece.

Um Mural deve conter pelo menos duas pieces e alguns Bonecos (Character ou Karak), que representam a figura humana. Um muro totalmente preenchido em sua extensão é chamado de Back to Back. Piece Book ou Writer’s Bible é o caderno de rascunhos do grafiteiro. Um grafite feito no caderno é chamado de Outline.

Alguns writers desenham letras em estilo 3D, procurando obter os mesmos efeitos da computação gráfica (Computer Style). O Wild Style são aquelas letras entrelaçadas, consideradas muito difíceis de fazer. As letras em forma de  bolhas chama-se  Bubble Letters.

Um grafite (Piece)  feito em janelas de ônibus ou trens é chamado de Window Down. Pintar completamente um lado de um ônibus ou uma parte de fora do trem é fazer um Whole Car. Pintar por dentro é Insides. A limpeza (remoção do piece) é um Buff.

Bomb ou Bombing refere-se a fazer um grafite em tempo recorde, mas é mais usado para designar pichações ilegais, que geralmente são feitas à noite ou na madrugada pelos Scribblers (pichadores). O estilo tosco das pichações é chamado de Throw Up.  Assinar somente o nome é Taggin Up.  A pichação também é conhecida como Tag Reto. Getting up é procurar um lugar pra pichar, de difícil acesso ou vigiado, como monumentos e prédios públicos.

E fugir (da polícia) é Going Over…

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Um comentário sobre “A linguagem do graffiti

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